Ir embora, ir embora, ir embora... Tudo o que eu queria, novamente. Poder largar tudo e todos para conquistar coisas novas e largar novamente. É só no que consigo pensar. E é a perspectiva do novo que me motiva. Me sinto presa, limitada. Obrigada a seguir caprichos alheios. Obrigada a seguir padrões, a fingir. E o pior, obrigada por mim mesma. Me sujeitei a estar aqui, deste modo, então seguirei certas coisas até o dia de ir embora...
Lamento todos os dias me deixar fazer tão feliz por motivos tão ridículos e pouco engrandecedores como relacionamentos passageiros. Mas, ao menos, agora todas as minhas alegrias nao provém disso. Talvez, no fundo seja até bom. Acaba sendo uma nova forma de desvendar o ser humano. Talvez eu precise ver esses pequenos relacionamentos desse modo. Nao é que eu nao consiga ficar completamente sozinha... Simplesmente não quero.
Não entendo como posso ser tão desapegada. Como posso não me importar tanto com amigos?! As vezes queria, sabe, criar laços... Mas não consigo, não adianta, simplesmente não consigo. E as poucas coisas que acredito (talvez) amar de verdade - meus gatos - deve ser apenas pela irracionalidade dos mesmos e pela dependencia que eles possuem comigo. Pela vulnerabilidade...
Solidão. Uma solidão interna. Externamente estou cheia de possibilidades, de oportunidades que seriam incríveis pra quem se contente com o habitual. Mas eu não. Eu quero mais. Eu quero o mundo. Quero a liberdade. Quero cantar. Quero conhecer todas as pessoas do meu caminho, amar todas e me apegar a todas, mas apenas por um dia. Quero sofrer por saudade, e não por decepção... Preciso exercer bem a minha função aqui, fazer logo o que esperam e ir embora. Só isso. Agora eu posso!