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Ao trabalho

Andava no beco ao lado da prefeitura. Uma senhora segue com passos rápidos. Espirra. Me perco dentre as folhas caídas no chão. Como houve com Alice, caio em um buraco profundo, mas o que me invade são cenas de uma infância distante - bairro Uberaba, Curitiba. Entro sozinha em uma biblioteca. Escolho meu livro sozinha. O cheiro, essa é a lembrança mais peculiar. Páginas velhas, esquecidas, beges, marrons, ocres, barro, madeira, tronco, farpa, ruivas, morenas e chocolate com muito cacau. O Caso da Borboleta Atíria, da antiga Coleção Vagalume. Preciso ler esse livro, por completo desta vez... ...voltei do buraco. O mundo está aqui e estou no ônibus indo ao trabalho. O mundo sou eu. Possibilidades, favorecimentos. Otimismos que posso ter, e aquele casal abaixo da ponte de Osasco não. Vivo por todos, nao apenas por eles. O "não" de outrem nunca irá me limitar, oq me conduz é o bom senso (não como o seu), e não você. Nem vocês. Nem ele.

Lilith Marangon

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