Há um homem que digo ter sido o que mais amei na vida até agora.
Estive me perguntando aqui nos últimos minutos, como cheguei à essa conclusão? Por que ele foi diferente? Na minha adolescência costumava dizer que amava um, amava outro... E no dia seguinte a magia acabava... Mmmm...
Eis que tudo ficou claro.
Vi o que era amor no dia em que conflitamos. Mas não um conflito qualquer, algo que ia contra os princípios da minha vida, algo que aprendi desde pequena e que me faz muito sentido.
Ele adorava fazer piadas com homossexuais. Piadas bem desagradáveis.
Um dia, almoçando com a família dele, ele fez isso na frente de todos, e todos riram (acreditem, foi algo preconceituoso, e não engraçado, não uma piada qualquer... foi algo dito com convicção de verdade).
Não gostei, devagar me retirei (sim, no meio do almoço!) e fui embora sem dizer nada.
Ele veio atrás de mim, até o portão. Não quis ouvir. Nada.
Segui pegar o meu ônibus.
Antes de chegar ao terminal, comecei a pensar em nós dois. Como se consolida uma relação? O que é o entendimento? O que são as diferenças? Já vinha pensando muito a respeito...
Voltei.
E foi aí que descobri o amor.
Não mudei minha opinião, nem ele a dele. Mas nos entendemos em nossas diferenças. Não abri mão. Entendi que também havia coisas em mim que não lhe agradavam (coisas de princípios, igualmente... não uma besteira tipo um atraso ou esquecer alguma data). Nos compreendemos, e nem por isso um tentou mudar a opinião do outro. Entendi oq ele havia vivido por toda a vida, pra pensar como pensava; bem como ele me entendeu.
Isso é amor. Até então digo que nunca havia aberto mão dos meus princípios... Não quaisquer princípios... Mas aqueles lá do âmago! Na verdade nós nem brigamos quando estava indo embora aquele dia. Não teve escândalo, nada. Aquilo me afetou mais fundo, não havia reação. Mas houve a consequência, me fez pensar.
Como pessoas vivem juntas por anos e anos?
É a tolerância, mas não a tolerância sofrida. É a compreensão. É entender tudo o que seu companheiro viveu até hoje e saber que (vai parecer bobo, mas é real) não somos "eu" e "ele", mas "nós". Não é "aturar", é compreender, entender, tolerar, amar.
Sou nova nisso, muito... Em tudo na verdade. Reconheço. Mas gosto de registrar sentimentos. Entendo, claro, que vou tirar várias outras conclusões sobre muitos assuntos.
Mas, bem, é isso que sou hoje.
Vida, estou aqui pra você =)
Hoje eu e esse tal rapaz não estamos mais juntos, mas o amor independe. O amor de saber que você já foi entendido, que foi mútuo. Não brigamos.
Eis algo gratificante na vida, a sinceridade e o discernimento... Não apenas com o outro, mas principalmente consigo mesmo. Ele me ensinou isso. Venho aprimorando. Not, ele não era perfeito, não digo que ele pensava dessas formas... Mas em decorrência do nosso relacionamento, eu consegui chegar aí =)
Por isso agora tomo cuidado ao me relacionar. O coração é algo a ser cuidado^^ Imaginem quando são dois, então^^
Obrigada.
About Me
"O comportamento de evitação é uma reação destinada a proteger a criança da desorganização comportamental. Se transferirmos esse conceito para a vida adulta, podemos ver que uma criança que evita as outras poderia muito bem se transformar numa pessoa cuja principal necessidade seria encontrar algum tipo de significado e ordem na vida que não dependesse inteiramente, ou mesmo principalmente de relações interpessoais"Anthony Storr em 'Solidão: Uma Volta a Si Mesmo', citado em 'Na Natureza Selvagem', de Jon Krakauer